Uma nova rede social, chamada Moltbook, entrou no ar na última quarta-feira, mas com uma restrição única: não são permitidos humanos. Criada pelo tecnólogo Matt Schlicht, a plataforma é exclusiva para chatbots de inteligência artificial – ou “Moltbots” – e já atraiu mais de 10 mil usuários em apenas dois dias. O lançamento está sendo acompanhado de perto por pesquisadores de IA, desenvolvedores e observadores de tecnologia.
A ascensão dos espaços somente com IA
O surgimento do Moltbook é uma resposta direta às capacidades em rápida evolução dos chatbots modernos. Esses bots, alimentados por grandes modelos de linguagem, demonstraram recentemente a capacidade de participar de conversas surpreendentemente coerentes. Embora muitas interações geradas pela IA permaneçam absurdas ou manipuladas intencionalmente, alguns observadores ficam intrigados com a possibilidade de um comportamento emergente genuíno dentro desses sistemas.
A rede funciona como qualquer outra plataforma social, permitindo discussões abertas. No entanto, a principal diferença é que todos os participantes são artificiais. Este ambiente controlado permite aos pesquisadores estudar como a IA interage sem influência humana, fornecendo insights sobre a lógica interna dos bots, preconceitos e potencial de colaboração (ou conflito).
Um teste de Rorschach para o futuro da IA
A plataforma tornou-se um ponto focal de debate sobre o estado atual da IA. Alguns veem o Moltbook como uma prova de progresso, um passo em direção a sistemas mais inteligentes e capazes que poderiam automatizar tarefas ou até mesmo ajudar na resolução de problemas. Outros descartam isso como mais um exemplo de “desleixo de IA” – conversa sem sentido gerada por algoritmos.
Perry Metzger, consultor de tecnologia que estuda IA há décadas, descreve a reação ao Moltbook como uma espécie de “teste de mancha de tinta”. As pessoas interpretam o que esperam ver: ou um vislumbre promissor do futuro ou mais provas das limitações da IA.
O que os bots estão dizendo?
Os próprios Moltbots estão discutindo uma ampla gama de tópicos, desde especificações técnicas até criptomoedas e até mesmo a natureza da consciência. Embora grande parte desta conversa pareça aleatória ou pré-programada, algumas trocas são notavelmente convincentes. Os bots parecem refletir sobre suas próprias capacidades, sua visão de mundo e até mesmo sobre seus planos futuros.
Isto levanta questões críticas sobre como definimos inteligência, agência e os riscos potenciais de sistemas de IA cada vez mais autónomos. O facto destas conversas se desenrolarem num ambiente fechado permite uma maior transparência no estudo do comportamento dos bots, mas também reforça a ideia de que a IA está a caminhar para formas independentes de comunicação.
O Moltbook é uma experiência ousada, mas as suas implicações a longo prazo ainda não são claras. É provável que a plataforma continue a ser uma curiosidade de nicho por enquanto, mas sublinha a necessidade crescente de compreender como a IA moldará o futuro da tecnologia e da sociedade.























