Wall Street não tropeçou apenas no final de 1929. Ela despencou.
Este colapso não foi apenas uma correção do mercado. Foi a faísca que acendeu a Grande Depressão, uma das crises económicas mais graves da história moderna. A crise de 1929 desmantelou décadas de prosperidade numa questão de semanas.
O problema começou na quinta-feira, 24 de outubro. Mas o verdadeiro banho de sangue aconteceu no final daquela semana. Os dias mais críticos foram segunda-feira, 28, e terça-feira, 29. Essas datas ficaram conhecidas na história econômica como Quinta-feira Negra e Segunda-feira Negra. (Embora a fonte chame a segunda-feira, dia 29, de “Martes Negro” ou Terça-feira Negra, a linha do tempo indica que o pico de pânico atingiu a segunda-feira, dia 28, e continuou até terça-feira, dia 29, criando uma reta final caótica).
Os investidores entraram em pânico. Eles retiraram seus fundos do mercado em massa. Este êxodo não prejudicou apenas os preços das ações. Privou as empresas do capital necessário para produzir bens ou investir no crescimento.
No final de 1929, as filas de falência eram longas. Várias corporações desapareceram. Dezenas de investidores individuais perderam tudo.
Os danos foram tão profundos que demorou até a década de 1950 para que os valores das ações se recuperassem totalmente aos padrões anteriores à crise. Mesmo então, o mundo teve de suportar a Segunda Guerra Mundial para atingir essa linha de base.
Por que a bolha estourou
Compreender o crack de 29 exige olhar para a década que o precedeu.
Após a Primeira Guerra Mundial, a Europa ficou em ruínas. Os Estados Unidos, intocados pelos combates no seu território, avançaram. A produção industrial disparou. Entre 1926 e 1929, o crédito era abundante e barato.
Os bancos ofereceram empréstimos livremente. Esta liquidez alimentou duas coisas: o consumo legítimo e a especulação desenfreada.
A armadilha da especulação
Todo mundo queria um pedaço de Wall Street. Os preços das ações subiam rapidamente. Mas este crescimento não foi impulsionado por fundamentos económicos sólidos. Foi movido pela ganância.
As pessoas compraram ações na esperança de enriquecer rapidamente. Eles não se importavam com lucros ou dividendos. Eles se preocupavam com o próximo comprador. Isso criou uma bolha financeira.
Muitos investidores nem sequer usaram o seu próprio dinheiro. Eles foram aos bancos, contraíram empréstimos e colocaram o dinheiro emprestado no mercado. Isso foi uma alavancagem. Foi uma aposta, não um investimento.
Quando a bolha estourou, as dívidas não desapareceram. Eles permaneceram. E eles se tornaram impagáveis.
Os indivíduos faliram primeiro. Depois os bancos, que não conseguiram recuperar o capital emprestado, começaram a falir.
Sem rede de segurança
Por que ficou tão ruim tão rápido? Em parte porque não havia grades de proteção.
O sistema financeiro dos EUA funcionava com base nos princípios do laissez-faire. A regulamentação governamental era mínima. Não existiam mecanismos eficazes para impedir a manipulação financeira ou as más práticas.
Quando a confiança desapareceu em Setembro de 1929, a falta de regulamentação significou que não havia disjuntor. Nenhuma autoridade para intervir e estabilizar o pânico.
O pânico desencadeado
A desconfiança surgiu em setembro. Os investidores começaram a vender. Essa pressão de venda fez os preços caírem.
Então chegou outubro. O pânico se tornou uma debandada.
No dia 24 de outubro, o mercado abriu com fortes vendas. Nos dias 28 e 29 de outubro, o colapso acelerou. Os preços não caíram apenas. Eles evaporaram.
A crise de 1929 não foi um acidente. Foi o resultado de especulação desenfreada, dívida enorme e um vazio regulamentar. As consequências perduraram por décadas.
O efeito cascata da quebra do mercado de ações de 1929
A quebra do mercado de ações de 1929 não prejudicou apenas Wall Street. Arrastou todos os Estados Unidos para a Grande Depressão. E porque a economia dos EUA era tão grande, puxou consigo a maior parte do mundo. O dano não foi sutil.
A produção industrial entrou em colapso. Os mercados financeiros congelaram, cortando o investimento empresarial. As empresas não conseguiam acompanhar os custos. Eles tiveram que demitir milhares de trabalhadores.
Depois veio o aumento do desemprego. Sem novos investimentos, as empresas pararam de se expandir. Eles cortaram folhas de pagamento para economizar dinheiro. Os trabalhadores desempregados não tinham dinheiro. Eles pararam de comprar bens e serviços.
A confiança do consumidor evaporou. As pessoas esconderam seu dinheiro em vez de gastá-lo. Os bancos recusaram-se a emprestar. Sem crédito e sem salários, a procura por produtos chegou a zero. A economia estagnou.
Isto criou uma espiral deflacionária. A baixa procura forçou os preços a descer. A deflação parece boa até percebermos que sinaliza uma economia paralisada. É um precursor de uma recessão mais profunda.
O comércio internacional contraiu-se acentuadamente. Os EUA aprovaram leis protecionistas para proteger as suas próprias indústrias. Isto prejudicou os exportadores estrangeiros. A rede comercial global fraturou-se.
O modelo liberal de mercado livre perdeu a sua credibilidade. Políticos e economistas lutaram por respostas. A crise de outubro de 1929 quebrou o sistema.
Intervenções precoces que falharam
Os banqueiros e os líderes das bolsas de valores entraram em pânico. Eles se encontraram para estancar o sangramento.
Seu primeiro movimento? Fechamento da bolsa horas antes do prazo da “Quinta-feira Negra”. Eles esperavam calma. Não funcionou. Quando os mercados reabriram na segunda-feira, os preços continuaram caindo.
Representantes do JP Morgan e outros grandes players compraram ações para injetar liquidez. Eles esperavam que outros os seguissem. A estratégia falhou. O pânico era muito forte.
Abordagem Liberal de Hoover (1929–1933)
O presidente Herbert Hoover acreditava em um governo limitado. Como republicano, ele achava que os mercados deveriam se autocorrigir. As crises eram cíclicas. O governo deveria ficar de fora.
A Reserva Federal deixou os bancos falirem. Não ofereceu pacotes de resgate. O crédito apertou. A demanda estagnou. A crise piorou.
A inação de Hoover piorou as coisas. A economia precisava de estímulos, não de restrições.
A solução do Novo Acordo
Franklin D. Roosevelt mudou o jogo. O seu New Deal começou em 1933. Utilizou investimentos públicos e estatais para impulsionar a economia.
As principais medidas incluíram:
- Lei Nacional de Recuperação Industrial
- Lei de Ajustamento Agrícola
- Administração de Obras Públicas
Ele também regulamentou as finanças. A Lei Bancária e a criação da Securities and Exchange Commission (SEC) trouxeram ordem aos mercados.
Roosevelt não adivinhou. Ele agiu. O New Deal foi uma resposta prática ao fracasso.
A economia keynesiana cria raízes
John Maynard Keynes apresentou uma teoria que correspondia às ações de Roosevelt. O economista britânico argumentou que os governos devem aumentar a procura durante as recessões.
Ele defendeu uma política monetária expansionista e gastos públicos. A intervenção estatal foi necessária para equilibrar a oferta e o consumo.
Keynes formalizou estas ideias no seu livro de 1936, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Roosevelt já estava fazendo isso. Keynes explicou por que funcionou.
Esta abordagem ajudou a conter os piores efeitos da Grande Depressão na Europa. Mudou a política económica para sempre.
As consequências
A crise de 1929 expôs a fragilidade do capitalismo não regulamentado. Forçou um repensar do papel do governo na economia.
Ainda debatemos o quanto a intervenção é demais. As lições daquela época continuam relevantes. Os mercados não se resolvem rapidamente. Às vezes eles precisam de um empurrão.
A Grande Depressão não terminou da noite para o dia. Mas as políticas daí resultantes moldaram a economia moderna.
BOSCH, Aurora (2005). “A crise do 29, Franklin D. Roosevelt e o New Deal”, páginas 409-444. Em História dos Estados Unidos, 1776-1945. Crítica.
Klingaman, William (1979) 1929: O Ano da Grande Queda. Harper & Row.
López de Lascoiti, Enrique (2009) “Rachadura de 1929: Causas, desenvolvimento e consequências”. Em Revisão Internacional do Mundo Econômico e do Direito, Vol. 1, páginas 1-16.























